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Reprodução de Pomacea diffusa
 
Cinthia Emerich - Reprodução de "Pomacea diffusa"


Olá a todos!

Desde 2006 venho mantendo e acompanhando a reprodução das ampulárias (Pomacea diffusa), particularmente gosto muito desses gastrópodes e acho que possuem um papel importante no auxílio ao combate às algas em nossos aquários.

A ampulária é um gastrópode, possui uma única concha e apresenta algumas particularidades. Aqui ficam as principais: 


São dióicas: ou seja, possuem os sexos separados, por isso é errado falar que uma ampulária é hermafrodita. Se você ouvir isso de um vendedor ou aquarista não se deixe enganar, existe o macho e a fêmea e esta pode guardar o esperma do macho por um bom tempo – o que explica o fato de se possuir apenas uma no aquário e mesmo assim ela desovar. Os machos possuem uma estrutura chamada de complexo peniano que fica do lado direito do corpo, logo acima da cabeça, esta estrutura é melhor visualizada durante a cópula do casal.


Casal durante a cópula:
O macho é o de cima e esta estrutura que sai do lado direito do corpo dele e liga os dois é o chamado complexo peniano.


Possuem um sifão respiratório: por viverem em locais de baixa oxigenação na natureza, as ampulárias podem respirar pelo pulmão e pelas brânquias, seu manto desenvolveu uma dobra que forma este sifão quando a ampulária precisa respirar pelo pulmão enquanto ainda está dentro da água. Ele fica localizado no lado esquerdo do corpo delas, logo acima da cabeça.



Ampulária com o sifão aparente


Desovam fora da água: as ampulárias, ao contrário da maioria dos outros caramujos que mantemos em aquário, desovam fora da água. Elas depositam os ovos individualmente em uma superfície seca, costuma ser no vidro do aquário, quando mantidas em cativeiro, eles são aderentes e se fixam uns aos outros lembrando a estrutura de uma pequena colméia.


Ampulária desovando


Elas devem ser mantidas em águas um pouco mais duras por causa de suas conchas, temperatura entre 24 e 28ºC, sendo 26ºC o mais indicado já que temperaturas muito altas encurtam seu período de vida. A faixa de pH em que elas vivem é ampla, indo de 6.5 a até 8.8, mas ficam melhores em água neutras ou alcalinas (por causa da dureza que nelas é geralmente maior).

São animais onívoros, ou seja, comem de tudo, então devem ser oferecidos os mais variados alimentos que vão desde rações específicas para animais de fundo, outras à base de spirulina, vegetais como cenoura, batata, pepino, até as mais ricas em cálcio como o gammarus. Por possuírem uma rádula que auxilia na retirada do alimento são ótimas algueiras.


Ampulária usando a rádula para raspar o vidro em busca de algas


Voltando à reprodução, que é o foco do artigo, depois de fecundada, a fêmea sai da água para desovar. Se nesta hora ela não encontrar espaço seco o suficiente para caber o ninho ela irá sair do aquário à procura de um local ideal, por isso, em aquários com ampulárias deve-se deixar pelo menos 5cm de espaço entre a coluna d’ água e a tampa (sendo 8 a 10cm o ideal). 


Ampulária desovando


Ao desovar, os ovinhos possuem uma cor bem clara, mas em questão de horas já escurecem um pouco mais se tornando rosados. A desova costuma ocorrer - na maioria das vezes -durante a noite ou logo no começo da manhã.



Ampulária desovando durante a noite (Night Shot)



Ninho recém colocado (à esquerda) e ninho já com alguns dias (à direita)


Os filhotes demoram de 1 a 4 semanas para saírem do ninho, este período é bastante influenciado pela temperatura, o tempo recorde aqui foi de 9 dias entre a postura e o nascimento das ampulárias. Em hipótese alguma o ninho deve ser molhado, isso mataria os filhotinhos.



Recentemente, uma fêmea realizou 6 desovas consecutivas em um dos meus aquários e nos casos em que houve condensação de água ao redor do ninho, o número de filhotes que nasceram caiu pela metade (quando comparado aos ninhos que ficaram secos o tempo todo).


Conforme o tempo vai passando e o momento da eclosão dos ovos vai se aproximando, o ninho vai tomando uma aparência esbranquiçada, como se estivesse ficando ressecado.




Ovos prestes a eclodir



Se o ninho foi colocado em um vidro que não há nenhum tipo de fundo atrás (papel contact, vinil, fundo falso), você poderá reparar que os filhotinhos vão ficando cada vez mais evidentes quando o ninho é visto por trás.


Os filhotinhos ficam mais evidentes algumas horas antes da eclosão dos ovos



Quando a hora chega, o ninho pode se desfazer por completo ou apenas apresentar buracos por onde os filhotes irão sair.


Filhotes ainda dentro do ninho



Filhotes deixando o ninho



Nascem envoltos em um tipo de "muco" 

Eles nascem miniaturas dos pais e é comum nascerem mais de 200 ampularinhas por vez. Na primeira ninhada aqui nasceram 280. Na segunda um pouco menos e nas outras nem contei mais... Nascem minúsculas, mas crescem rapidamente. No começo se alimentam principalmente de algas, com o tempo vão se alimentando das mesmas comidas que os pais.


Filhotinhos saindo do ninho, procurando pelo corpo d' água mais próximo


Lembram que mais para cima eu falei sobre o problema do ninho entrar em contato com a água? Vejam um exemplo prático...

 Visão da parte do ninho que fica em contato com o substrato:


Desova que ficou em local onde condensava água: toda a parte rosada opaca é constituída de ovos que não vingaram, nasceram cerca de 130 filhotes.


Desova que ficou em local sem contato algum com água: nasceram 317 filhotes.



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Aproveitei e fiz uma comparação de tamanho, para vocês terem uma noção do tamanho de um filhote ao nascer:


Filhote comparado a uma tampa de garrafa


Filhote comparado à cabeça de um alfinete



Filhotes com poucas semanas de vida


Filhotes reunidos

Quando atingem um tamanho de pelo menos 2,5 cm de concha já estão aptas a reproduzir. É importante lembrar que não se deve manter ampulárias, ainda mais filhotinhos, em aquários com peixes que sabidamente predam caramujos ou são muito agressivos, na lista de companheiros incompatíveis entram: ciclídeos africanos, ciclídeos de porte médio – grande (oscar por exemplo), ciclídeos anões em época de reprodução, bótias, mocinhas (Characidium sp.), lábeos, barbos, baiacus, paraíso (Macropodus opercularis), etc...


Cinthia Emerich






A Bibliografia deste artigo inclui bastante material extraído do portal  applesnail.net , possivelmente o melhor banco de dados de Ampulárias que existe na internet. Agradecimentos a Stijn Ghesquiere, responsável pelo portal, por permitir o uso do material e fotos. Uma outra importante fonte de reeferência foi o artigo escrito por Flávia Regina Carvalho para o site AquaBrasilis, infelizmente não mais disponível.


As fotografias de Cinthia Emerich estão licenciadas sob uma Licença Creative Commons.
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