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Sexagem das Ampulárias
 
Walther Ishikawa - Sexagem das Ampulárias

Sexagem das Ampulárias


Existem algumas formas de verificar o sexo das nossas ampulárias, a melhor forma é analisando a anatomia dos órgãos reprodutores.





1.      Retire a ampulária da água, e vire-a de costas, ou seja, com a abertura da concha para cima. Você pode coloca-lo sobre algum substrato, ou segurá-lo com sua mão nesta posição. Segurando o animal, é mais fácil ver os detalhes anatômicos, como explicaremos adiante. Mas você não pode ter “nojo” da ampulária encostando nos seus dedos.

2.      Espere o animal sair da concha, ela irá esticar seu corpo para apoiar o pé no substrato (ou na sua mão), a fim de virar seu corpo para uma posição mais confortável. Pode demorar um pouco para o animal fazer isto (até 10 minutos), assoprar gentilmente o corpo da ampulária costuma estimulá-los a sair.

3.      Quando o animal esticar seu corpo, veja o interior da abertura concha. Girar a concha um pouquinho, mantendo o lado direito do animal um pouco mais alto do que o esquerdo costuma ajudar. Atente à região superior do lado direito do animal, dentro da cavidade do manto. Nos machos, pode ser vista a bainha do pênis, uma estrutura muscular alongada e clara, com uma das extremidades inserida próxima à borda da concha. Nas fêmeas, esta região é vazia, só dá pra ver a cavidade com a brânquia.

4.      Outra forma de fazer esta inspeção é retirar a ampulária da água, e deixar ela caminhar na sua mão. Mantendo a mão molhada, deixe o animal com a abertura da concha virada para baixo, para a palma da sua mão. Quando ela estiver tranquila e caminhando na sua mão, faça ela caminhar para seus dedos. No momento que ela está caminhando nas bordas ou extremidade do seu dedo, a cavidade do manto costuma ficar bem exposta, e de fácil análise. Atenção! Fique com sua outra mão bem alerta, para o caso de ela se soltar e cair! Em alguns animais que demoram pra sair da concha, esta forma costuma ser mais rápida.

5.      No início não é muito fácil, mas depois de alguma experiência, vai ser muito fácil sexar suas ampulárias no futuro usando estas dicas.


Algumas fotos com exemplos (todas as imagens foram gentilmente cedidas por Terri Bryant):


Machos:



Fêmeas:










Pomacea scalaris

A Pomacea scalaris é outra espécie de Ampulária encontrada no Brasil, parente próxima da P. diffusa. Assim como esta espécie, não ataca plantas ornamentais, e tem sido criada em cativeiro por alguns aquaristas amadores, especialmente em SP e também na Argentina. A sexagem da P. scalaris é mais difícil, porque esta espécie mostra uma membrana recobrindo a entrada da concha, inclusive à direita do animal, no local onde está o complexo peniano.

Veja as fotos abaixo (todas as imagens gentilmente cedidas por Andressa Malgueiro):












Outra opção é esperar os caramujos copularem. Neste momento, o macho sobe em cima da concha da fêmea, e introduz o pênis na parceira. Assim, você pode saber que o animal de cima é o macho, e o de baixo, a fêmea. Neste momento, o próprio complexo peniano pode ser visível, como uma estrutura alongada e muscular. Ele envolve o pênis propriamente dito, que é fino e longo, e não é visível durante a cópula.



Cópula de Pomacea diffusa, o macho à esquerda insere seu pênis na fêmea. Foto de Stijn Ghesquiere.



Close da primeira foto, com a bainha do pênis inserida na fêmea. Normalmente a bainha do pênis permanece dobrada dentro da cavidade do manto, mas eventualmente ela se desdobra para fora, ficando exposto (na segunda foto, Pomacea flagellata). Ambas fotos de Stijn Ghesquiere.


 

Uma dúvida comum nos iniciantes é confundir o sifão respiratório com o complexo peniano. Além das diferenças na sua forma, o sifão se situa do lado esquerdo do animal, o pênis do lado direito.

Outro alerta importante: muitas vezes machos brigam com outros machos, disputando uma fêmea. Neste processo, um macho pode subir em cima da concha de outro macho, simulando uma cópula. Porém, fêmeas não sobem em cima da concha de outras ampulárias, sejam machos ou fêmeas. Isto significa que se você avistar duas ampulárias uma em cima da outra, certamente a de cima é um macho, mas a de baixo não é necessariamente uma fêmea.


Em algumas espécies, a forma da abertura da concha é diferente entre os sexos, o macho tendo a abertura mais arredondada (um exemplo é a Pomacea canaliculata), ou na forma da borda da abertura (como na Pomacea flagellata). Infelizmente este método não funciona na Pomacea difusa, a espécie encontrada em lojas de aquarismo. Porém, nas variedades de ampulária de concha e corpo claro (como a dourada, encontrada em lojas de aquarismo), há uma mudança na coloração das espiras mais apicais das conchas, durante o período reprodutivo. Na realidade se trata do ovário maduro da fêmea, de cor escura, que pode ser vista através da concha translúcida. Note que este método nem sempre é confiável, só funciona em animais adultos, e somente no período reprodutivo. E também não funciona em variedades de coloração mais escura.


      

Quando ampulárias com conchas translúcidas (Pomacea diffusa albina, neste caso) estão prestes a se reproduzirem, o ovário das fêmeas (à esquerda) pode se tornar visível através da concha. Foto de Stijn Ghesquiere.



Pomacea diffusa botando ovos. Note a coloração escura junto ao ápice da concha. Foto de Cinthia Emerich.




Este artigo foi adaptado do portal  applesnail.net , possivelmente o melhor banco de dados de Ampulárias que existe na internet. Agradecimentos a Stijn Ghesquiere, responsável pelo portal, por permitir o uso do material e fotos.  Agradecemos também às colegas aquaristas Andressa Malgueiro e Terri Bryant (EUA) pela cessão das fotos para o artigo.  


As fotografias de Cinthia Emerich e Stijn Ghesquiere estão licenciadas sob uma Licença Creative Commons. As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.



Artigo publicado em 27/05/2013, última atualização em 08/09/2015
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