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"Leptuca thayeri"  
Artigo publicado em 26/06/2012, última edição em 24/01/2017  



Caranguejo Chama-MaréLeptuca thayeri


Nome em português: Caranguejo Uca, Chama-maré, Caranguejo Violinista
Nome em inglês:
Atlantic Mangrove Fiddler Crab, Thayer´s Fiddler Crab
Nome científico: Leptuca
thayeri (Rathbun, 1900)
Origem: Costa atlântica das Américas
Tamanho: carapaça com largura de 3,0 cm
Temperatura: 20-28° C
Salinidade:
tolerante a variações
Reprodução: primitiva, larvas se desenvolvem no mar
Comportamento: pacífico
Dificuldade: fácil


Os caranguejos chama-marés (também chamados caranguejos-violinistas) são pequenos caranguejos semi-terrestres que habitam zonas costeiras, bastante comuns em manguezais, marismas e estuários. Pouco mais de cem espécies já foram registradas, até há pouco tempo todas pertenciam ao gênero Uca, divididas em 12 subgêneros.

Porém, em 2016 foi realizada uma cuidadosa revisão da família Ocypodidae por Shih e colaboradores, baseada em dados moleculares, combinando informações nucleares (28S rDNA) e mitocondriais (16S rDNA e subunidade I de citocromo oxidase – COI). Este trabalho trouxe algumas importantes modificações na sistemática dos chama-marés.

O gênero Uca foi invalidado, todos os subgêneros passando a ganhar status de gênero. Desta forma, o único chama-maré brasileiro que mantém o gênero Uca é o U. maracoani, já que pertencia previamente ao gênero Uca, subgênero Uca. Todos os demais devem ser designados como Minuca rapax, Leptuca uruguayensis, e assim por diante. Porém, é provável que os chama-marés continuem sendo chamados popularmente de "Ucas" por algum tempo.

O antigo gênero Uca mostrou-se parafilético, pertencendo a dois clados amplamente divergentes. Desta forma, a família Ocypodidae passa a ser classificada da seguinte forma: O antigo subgênero Uca (e um gênero africano) agrupam-se com os caranguejos maria-farinha (Ocypode), constituindo a subfamília Ocypodinae. Todos os demais chama-marés conhecidos são monofiléticos (inclui as demais nove espécies brasileiras), e agrupam-se na subfamília Gelasiminae. Os Uçás (Ucides) voltam a pertencer a Ocypodidae, constituindo a terceira subfamília, Ucidinae.

Outras informações gerais dos chama-marés podem ser vistas nos dois textos introdutórios presentes na seção  "artigos" . Sugerimos a sua leitura previamente à desta ficha.



Apresentação

O Leptuca thayeri é uma espécie comum de Caranguejo Violinista brasileiro, de relativamente grande porte, a garra e pernas podendo ter uma bela coloração alaranjada. Com algumas características que lembram os Minuca e outras que lembram os Leptuca, inicialmente esta espécie foi classificada no subgênero Planuca. Este gênero foi invalidado baseado em trabalhos genéticos, sendo o L. thayeri subclassificado como Minuca, mas permaneceu a opinião de alguns autores de que talvez se aproximasse mais dos Leptuca. Novas e mais finas análises genéticas (2015 e 2016) situaram esta espécie definitivamente no subgênero dos pequenos Leptuca. Possui aspecto e comportamento bem peculiares, é a única espécie brasileira classificada morfo-comportalmente como "fronte intermediária".

Etimologia: Leptuca vem do grego leptos (pequeno, delicado) e Uca, o nome original do gênero dos chama-marés. Uca tem uma etimologia bem interessante, explicada no artigo principal. E thayeri tem origem na Expedição Thayer, uma expedição ao Brasil que foi liderada pelo zoólogo suíço Louis Agassiz, realizada entre 1865 e 1866, quando foi coletado o primeiro espécime deste caranguejo.



Leptuca thayeri em um estuário de um grande rio em Aquiraz, Ceará. Havia um grande número de diferentes espécies de caranguejos chama-marés habitando este estuário. Note o terreno bastante lodoso e barrento. Fotos de Walther Ishikawa.




Distribuição geográfica de Leptuca thayeri. Imagem original Google Maps; dados de Melo GAS 1996.



Origem e habitat

            É uma espécie com ampla distribuição geográfica, em climas tropicais, subtropicais e temperadas das Américas, na sua costa atlântica. São encontradas desde a Flórida (EUA) até o sul do Brasil (MA a SC).

            Seu habitat típico é nas margens de manguezais, em terrenos de substrato lodoso, com altas porcentagens de silite e argila, e rico em matéria orgânica. Habita locais alagados, no entre-marés, um pouco mais continental do que o Uca maracoani, preferindo regiões sombreadas. Especialmente comum entre as raízes de manguezais. Eurihalino, mas prefere locais de salinidade mais alta.




Leptuca thayeri em um manguezal em Cananéia, São Paulo. Foto de Abidner Tucci Antunes.


Aparência

 

Machos adultos desta espécie são facilmente identificáveis, pela sua fronte estreita e pedúnculos oculares longos, e aspecto da garra maior, com os dois dedos com a extremidade curvada para baixo.

Não há mudança da coloração dos machos em exibição (sem “alvejamento”). Sua carapaça é de cor marrom para alaranjada, às vezes com tênues reticulações. Todos os apêndices mostram uma coloração marrom para laranja, sendo que a garra maior sempre se mostra mais brilhante, de cor ferrugem para laranja, a cor se estendendo até a ponta da quela.

Fêmeas desta espécie podem construir altas ornamentações em forma de “chaminé” na entrada das suas tocas, feitas de bolinhas de lama, durante o período reprodutivo.




Leptuca thayeri em um terreno marginal de um tributário de um grande rio na região metropolitana, próximo ao seu estuário, em Caraguatatuba, São PauloFotos de Walther Ishikawa.




Leptuca thayeri fêmea, fotografada nos mangues do Rio Cavalo, Itamambuca (Ubatuba, SP) e Maracaípe (Ipojuca, PE). A segunda fêmea está ovada. Fotos de Walther Ishikawa.





Leptuca thayeri, fotografado no mangue do Rio Escuro, Ubatuba, SP. Note o exuberante padrão de pubescência na carapaça e pernas. Fotos de Walther Ishikawa.



Peculiaridades na manutenção em aquaterrários

O Leptuca thayeri é uma espécie relativamente resistente, pode ser mantida com sucesso em paludários salobros.




Leptuca thayeri em um paludário salobro, fotos de Walther Ishikawa. Note como a pubescência mostra um aspecto mais claro, já sem a sujeira impregnada.




Bibliografia:

  • Melo GAS. Manual de Identificação dos Brachyura (caranguejos e siris) do litoral brasileiro. São Paulo: Plêiade/FAPESP Ed., 1996, 604p.
  • Crane J. 1975. Fiddler crabs of the world. Ocypodidae: Genus Uca. New Jersey: Princepton University Press, 736p.
  • Thurman CL, Faria SC, McNamara JC. The distribution of fiddler crabs (Uca) along the coast of Brazil: implications for biogeography of the western Atlantic Ocean. Marine Biodiversity Records 01/2013; 6:1-21.
  • Bezerra LEA. The fiddler crabs (Crustacea: Brachyura: Ocypodidae: genus Uca) of the South Atlantic Ocean. Nauplius 2012; 20(2): 203-246.
  • Koch V, Wolff M, Diele K. Comparative population dynamics of four fiddler crabs (Ocypodidae, genus Uca) from a North Brazilian mangrove ecosystem. Marine ecology. 2005, vol. 291, pp. 177-188.
  • Masunari S. Distribuição e abundância dos caranguejos Uca Leach (Crustacea, Decapoda, Ocypodidae) na Baía de Guaratuba, Paraná, Brasil. Rev. Bras. Zool. 2006, vol.23, n.4, pp. 901-914.
  • Bede LM, Oshiro LMY, Mendes LMD, Silva AA.. Comparação da estrutura populacional das espécies de Uca (Crustacea: Decapoda: Ocypodidae) no Manguezal de Itacuruçá, Rio de Janeiro, Brasil. Rev. Bras. Zool. 2008, vol.25, n.4 pp. 601-607.
  • Shih HT, Ng PKL, Christy JH. 2015. Uca (Petruca), a new subgenus for the rock fiddler crab Uca panamensis (Stimpson, 1859) from Central America, with comments on some species of the American broad-fronted subgenera. Zootaxa 4034 (3): 471-494.
  • Shih HT, Ng PKL, Davie PJF, Schubart CD, Türkay M, Naderloo R, Jones D, Liu MY. 2016. Systematics of the family Ocypodidae Rafinesque, 1815 (Crustacea: Brachyura), based on phylogenetic relationships, with a reorganization of subfamily rankings and a review of the taxonomic status of Uca Leach, 1814, sensu lato and its subgenera. The Raffles Bulletin of Zoology, 64:139-175.

 

 

Agradecimentos especiais a Abidner Tucci Antunes pela cessão da sua foto para o artigo. Somos muito gratos também à ecóloga Ravena Sthefany Alves Nogueira por valiosas informações sobre a taxonomia destes animais.






As fotografias de Walther Ishikawa estão licenciadas sob uma Licença Creative Commons. As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.
 
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