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"Pomacea lineata"  
Artigo publicado em 26/03/2012, última edição em 14/09/2015  
Pomacea (Pomacea) lineata
(Spix, 1827)





A Ampulária sul-america Pomacea lineata é classificada dentro do chamado "complexo canaliculata”, um grupo de ampularídeos que tem traços anatômicos em comum, muitas vezes sendo bastante difícil a distinção das espécies dentro deste grupo. Das espécies brasileiras, fazem parte deste grupo a P. canaliculata, P. maculata e P. haustrum, além da P. lineata. Muitas vezes a diferenciação com estas outras espécies é difícil. São animais conhecidos popularmente como “Aruás”.


A vasta maioria das Ampulárias vendidas no comércio é da espécie Pomacea diffusa, um animal que não se alimenta de plantas ornamentais. Ampulárias do complexo canaliculata são encontradas mais raramente, em geral são animais selvagens coletados na natureza. Mas a distinção com o P. diffusa é importante, devido ao apetite voraz dos animais do complexo canaliculata, destruindo plantas ornamentais. A forma mais simples de se fazer esta distinção é através de alguns detalhes das conchas, como na figura abaixo:


Pomacea diffusa                    Pomacea lineata/canaliculata

Pomacea diffusa: ombros achatados e suturas de 90°. Pomacea lineata (complexo canaliculata): suturas chanfradas, ângulo menor de 90°. Esta concha também é mais globosa do que a concha de Pomacea diffusa. Ilustrações de Stijn Ghesquiere.





Pomacea lineata, animal em aquário, coletado em Socorro, SP. Foto de Walther Ishikawa.



Pomacea lineata, animal em aquário, coletado em Socorro, SP. Foto de Walther Ishikawa.



Concha: A concha desta Ampulária é globosa e relativamente pesada (especialmente em caramujos mais velhos). Os cinco ou seis giros são separados por uma sutura profunda e indentada, mas menos proninciada do que na P. canaliculata. A abertura da concha é ampla e oval para arredondada.

O tamanho destes caramujos varia de 40 a 60 mm de largura, e 45 a 75 mm de altura, dependendo das condições.

A cor da concha é marrom com faixas escuras espiraladas. Existe muita variação nesta espécie no tocante ao formato da concha, coloração e padrão das faixas.

Embora a diferenciação com outras espécies do complexo seja difícil, a P. lineata tende a ter uma concha com muitas faixas (como o próprio nome diz), suturas relativamente rasas, e ápice relativamente mais alto do que outras espécies.


Opérculo: O opérculo tem uma espessura média e um aspecto córneo. Sua estrutura é concêntrica com o núcleo próximo do centro da concha. A cor varia de tons claros (em animais jovens) até marrom escuro. O opérculo pode ser retraído na abertura da concha.

Corpo: A cor do corpo é cinza amarronzado com manchas pigmentadas escuras.



Pomacea lineata, coletada na Represa do Pitiaçu, Salvador, BA. Junho de 1994. Foto de Stijn Ghesquiere.



Conchas de Pomacea lineata, fotografado nas margens do Rio Coaçu, Fortaleza, CE. Foto de Walther Ishikawa.




Pomacea lineata
, coletado em Socorro, SP. Foto de Walther Ishikawa.




Pomacea lineata, coletado em Socorro, SP. Foto de Walther Ishikawa.



Reprodução:

Ovos: os ovos rosados são frouxamente aderidos um ao outro, mantendo ainda seu aspecto esférico, diferente do aspecto prismático do P. diffusa. Ficam fixos a objetos acima da linha d´água. O número de ovos depositados numa postura se situa em torno de 100. Suas dimensões são de aproximadamete 3 mm de diâmetro. Próximo à eclosão, os ovos adquirem uma coloração branco-rosada.
O aspecto dos ovos é idêntico ao do P. canaliculata.

Assim como diversas outras espécies de Pomacea, os ovos tem uma brilhante coloração, possivelmente aposemática, e são pouco predados por outros animais. Não existem estudos específicos sobre toxinas nos ovos desta espécie, mas um trabalho avaliou a ação de extratos liofilizados em tecidos animais, com resultados interessantes. Sabe-se que muitas Pomaceas (e seus ovos) são usadas como remédios populares especialmente no Norte e Nordeste do país para problemas respiratórios, e na Argentina para disenteria. Liófilos dos ovos induziram relaxamento muscular em traquéia e íleo isolados de cobaias, pré-contraídas, provavelmente através de bloqueio do influxo de Ca2+ nos canais dependentes de voltagem da membrana citoplasmática. Não foi detectada toxicidade neste trabalho, mesmo em doses relativamente altas, mas deve-se destacar que foram utilizados liófilos, ao invés de extratos dos ovos e animais, talvez com perda de parte das suas propriedades biológicas. Destaca-se que, mesmo assim, foi caracterizada uma ação farmacológica.    






Pomacea lineata, fotografado em um córrego de beira de estrada, em Ubatuba, SP. Foto de Walther Ishikawa.




Ovos de Pomacea lineata, fotografado em uma lagoa em Itupeva, SP. Foto de Walther Ishikawa.
 





Postura de
Pomacea lineata, fotos de Aline P. Stefani.



Alimentação: Se alimenta de quase todos os tipos de plantas, com apetite voraz, destruindo plantas ornamentais. Pode ser alimentado com rações para peixes ornamentais. Não é absolutamente recomendado para aquários plantados, deve ser evitado a não ser que você não tenha plantas ou outros vegetais no seu aquário.





Close da boca de uma Pomacea lineata, mostrando as rádulas. Foto de Walther Ishikawa.


Pomacea lineata, o sifão é bem visível nesta imagem. Foto de Walther Ishikawa.




Distribuição geográfica de Pomacea lineata no Brasil. Imagem original Google Maps; dados de Simone LRL 2004 e 2006, e Agudo-Padrón AI 2008.



Habitat e distribuição: Pomacea lineata é encontrada na América central e do Sul, nesta última, nas macrobacias do Amazonas e Paraná. Também nas bacias costais do Paraíba a Alagoas, e na Ilha de Fernando de Noronha. É amplamente distribuída no nosso país, sendo uma das espécies mais comumente coletadas na natureza. Ocorre nos estados do PA, MA, PI, PE, PB, AL, BA, SE, CE, RN, MG, ES, RJ, SP, PR e SC.



No Brasil, a Pomacea lineata é raramente vista no comércio de invertebrados ornamentais, mas é bastante comum na natureza. Coletada inadvertidamente, destrói plantas ornamentais, seu voraz apetite dá a este caramujo uma péssima reputação no hobby.




Esta ficha foi adaptada do portal  applesnail.net , possivelmente o melhor banco de dados de Ampulárias que existe na internet. Agradecimentos a Stijn Ghesquiere, responsável pelo portal, por permitir o uso do material e foto. Agradecemos também ao colega malacologista Aisur Ignacio Agudo-Padrón pela consultoria técnica.



Bibliografia adicional:

  • Simone LRL. 2006. Land and Freshwater Molluscs of Brazil. EGB, Fapesp. São Paulo, Brazil. 390 pp.
  • Simone LRL. Comparative morphology and phylogeny of representatives of the superfamilies of architaenioglossans and the Annulariidae (Mollusca, Caenogastropoda). Arquivos do Museu Nacional, 2004,62(4):387-504.
  • Agudo-Padrón AI. 2008. Listagem sistemática dos moluscos continentais ocorrentes no Estado de Santa Catarina, Brasil. Comunicaciones de la Sociedad Malacológica del Uruguay, Montevideo, 9(91): 147-179.
  • http://www.conchasbrasil.org.br/
  • Pessôa HLF, Oliveira RCM, Silva JLV, Santos RF, Duarte JC, Costa MJC, Silva BA. Avaliação da toxicidade aguda, efeitos citotóxico e espasmolítico de Pomacea lineata (Spix, 1827) (Mollusca, Caenogastropoda). Rev. bras. farmacogn. 2007, vol.17, n.1, pp. 76-84.


As fotografias de Walther Ishikawa estão licenciadas sob uma Licença Creative Commons. As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.
 
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