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"Pomacea paludosa"  
Artigo publicado em 16/04/2012, última edição em 06/09/2015  

Pomacea (Pomacea) paludosa

(Say, 1829)




A Pomacea paludosa é a única espécie nativa de Ampulária que é encontrada nos EUA. Há pouco tempo atrás foi detectado um foco desta molusco no Brasil, como espécie exótica, em Santa Catarina. É conhecida como “Ampulária da Flórida”. Embora seja geneticamente próxima à Pomacea canaliculata, pertencendo ao mesmo clado, possui características bem distintas, seja no aspecto da concha, seja nos ovos.


É uma espécie relativamente bem estudada, embora não tenha importância como espécie invasora no mundo, é o principal alimento do Gavião-caramujeiro, Rostrhamus sociabilis, uma espécie ameaçada nos EUA. 


   



Pomacea paludosa, mesmo animal da primeira foto, fotografada em Spring Creek, Marianna, Jackson County, Flórida (EUA). Foto de Alan Cressler.



Concha: Globosa, abertura da concha ampla, oval. Umbilicus grande e profundo. Mede 40-55 mm de largura, e 45-65 mm de altura. Suturas rasas, retas, conferindo um aspecto cônico à espira. Cor amarela para verde com riscos avermelhados, e faixas espirais escuras. Existem variações mais raras, enegrecidas ou douradas.

Opérculo: O opérculo tem uma espessura média e um aspecto córneo. Sua estrutura é concêntrica com o núcleo próximo do centro da concha. O opérculo pode ser retraído na abertura da concha.



Dois exemplares de Pomacea paludosa, fotos de José Liétor Gallego.



Pomacea paludosa, uma rara variação dourada, coletado em um lago no South Campus do Florida State College Jacksonville, Duvall Co., Flórida (EUA). Foto de Bill Frank.


Corpo: Pé cinza claro, com áreas pigmentadas na porção superior do corpo.



Pomacea paludosa, fotografado em um lago no Florida State College Jacksonville South Campus, Duvall Co., Flórida (EUA). Foto de Bill Frank.



Postura de Pomacea paludosa. Foto de Jess Van Dyke.



Ovos recém-postos de Pomacea paludosa, fotografada no Rio Ichetucknee, Parque Estadual Ichetucknee Springs, Suwannee e Columbia County, Flórida (EUA). Foto de Alan Cressler.



Ovos: Os ovos brancos ou levemente rosados são postos nos caules da vegetação emergente. Aglomerados de 10 a 80 ovos são envoltos por uma massa gelatinosa. Comparadas com outras espécies de Pomacea, os ovos da Pomacea paludosa são relativamente grandes, medindo entre 3 e 6 mm de diâmetro. Os cachos são menos compactos, com ovos pouco aderidos entre si, mantendo sua morfologia esférica.


Reprodução: Os filhotes de caramujo nascem depois de 2 ou mais semanas, e caem na água. Devido ao seu tamanho relativamente grande ao nascer, estes caramujos são menos sensíveis à dessecação do que outras espécies menores como a Pomacea flagellata. Uma vantagem importante dada às condições dos seus habitats (pântanos). Uma estratégia semelhante também é vista na Pomacea urceus, que habita corpos d´água temporários na savana venezuelana.



Ovos mais maduros de Pomacea paludosa, fotografada no Rio Ichetucknee, Parque Estadual Ichetucknee Springs, Suwannee e Columbia County, Flórida (EUA). Veja como os ovos são mais espaçados, menos compactados, não mostrando o aspecto em "colméia" das outras espécies. Foto de Alan Cressler.


Eclosão de ovos de Pomacea paludosa, foto de Terri Bryant.




Filhotes de Pomacea paludosa, eclosão em cativeiro a partir de ovos coletados no Lago Oneida, University of North Florida Campus, Duvall Co., Flórida (EUA). À esquerda, filhotes com cerca de 10 dias se alimentando de alface, e à direita, recém-nascidos com menos de 24h de vida, o maior mede 2,5 mm. Fotos de Bill Frank.

Comportamento: animal anfíbio, permanece submerso durante o dia, oculto em meio à vegetação marginal e plantas flutuantes. É mais ativo durante a noite, sai da água à procura de plantas para se alimentar.

Quando perturbados, deixam-se cair ao solo para se esconderem em meio à lama.




Distribuição geográfica de Pomacea paludosa. Imagem original Google Maps; dados de Agudo-Padrón AI 2008, 2010 e 2011.



Distribuição: Sudoeste dos EUA (Flórida) e Cuba. Espécie invasora no Havaí (somente populações locais). No Brasil, só foi detectado um pequeno foco invasor em Santa Catarina, no Município de Balneário Camboriú, litoral norte do Estado, em lagoas internas do Parque “Cyro Gevaerd”.


















Esta ficha foi adaptada do portal  applesnail.net , possivelmente o melhor banco de dados de Ampulárias que existe na internet. Agradecimentos a Stijn Ghesquiere, responsável pelo portal, por permitir o uso do material e fotos. Agradecemos também ao colega malacologista Aisur Ignacio Agudo-Padrón pela consultoria técnica. Finalmente, agradecimentos também aos colegas americanos Alan Cressler (fotógrafo), Jess Van Dyke (zoólogo), Terri Bryant (aquarista) e Bill Frank ( Jacksonville Shell Club ), assim como ao malacologista espanhol Jose Liétor Gallego ( El Rincón del Malacólogo ) pela cessão das fotos para o artigo.


Bibliografia adicional:

  • Agudo-Padrón AI. 2008. Listagem sistemática dos moluscos continentais ocorrentes no Estado de Santa Catarina, Brasil. Comunicaciones de la Sociedad Malacológica del Uruguay, Montevideo, 9(91): 147-179.
  • Agudo-Padrón AI. 2011. Exotic molluscs in Santa Catarina’s State, Southern Brazil region (Mollusca, Gastropoda et Bivalvia): check list and regional spatial distribution knowledge. Biodiversity Journal, Palermo, 2(2): 53-58.
  • Agudo-Padrón AI, Lenhard P. 2010. Introduced and invasive exotic molluscs in Brazil: an brief overview. IUCN/SSC Internet Newsletter Tentacle, (18): 37-41.


As fotografias de Stijn Ghesquiere estão licenciadas sob uma Licença Creative Commons. As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.
 
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