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"Pomacea dolioides"  
Artigo publicado em 10/03/2013, última edição em 31/12/2014  

Pomacea (Pomacea) dolioides

(Reeve, 1856)




A Pomacea dolioides é uma espécie sul-americana de Ampulária muito parecida e próxima filogeneticamente da Pomacea lineata. Alguns autores a consideram sinônimo do P. lineata, mas estudos genéticos confirmam esta espécie como sendo válida. O aspecto dos ovos também é distinto entre as duas espécies.

Tem uma distribuição no norte da Bacia Amazônica, se estendendo para a Venezuela. Há controvérsias, mas algumas fontes citam sua ocorrência no Brasil, nos estados de RR e AM.

Bastante numeroso nos locais onde ocorre, em muitos habitats representa a fonte de alimentação exclusiva de aves que se alimentam de moluscos, como o Gavião-caramujeiro (Rostrhamus sociabilis) e o Carão (Aramus guarauna).



Pomacea dolioidescoletado na Guiana, mede cerca de 52 mm. Fotos gentilmente cedidas pela Associação Francesa de Conquiliologia..





Pomacea dolioidesanimais criados em cativeiro na Venezuela. Fotos cedidas por Richard Asten.



Concha: Muito parecida com a Pomacea lineata, o aspecto geral da concha lembra bastante os demais Ampularídeos do “complexo canaliculata”, com aspecto globoso e suturas profundas. A abertura da concha é ampla e oval para arredondada. O tamanho destes caramujos varia de 40 a 60 mm. A cor da concha é marrom com faixas escuras espiraladas.


Opérculo: O opérculo tem uma espessura média e um aspecto córneo. Sua estrutura é concêntrica com o núcleo próximo do centro da concha. A cor varia de tons claros (em animais jovens) até marrom escuro. O opérculo pode ser retraído na abertura da concha.

Corpo: A cor do corpo é cinza amarronzado com manchas pigmentadas escuras.


Pomacea dolioides, fotografado em Caiena, Guiana Francesa. Fotos gentilmente cedidas pela Associação Francesa de Conquiliologia.


Reprodução:
Ovos: Os ovos têm uma coloração rosada, com 400 a 1200 ovos por postura. São depositados acima da linha d´água, e são firmemente aderidos um ao outro, com um aspecto compacto e prismático. Curiosamente, os cachos lembram bastante os cachos da P. diffusa, embora esta espécie pertença ao clado canaliculata.

Diversos estudos demonstram uma não-palatabilidade destes ovos por predadores, sua cor brilhante representando uma forma de aposematismo (coloração de alerta). A reprodução ocorre durante a estação chuvosa.








Cópula e desova de Pomacea dolioidesanimais criados em cativeiro na Venezuela. Fotos cedidas por Richard Asten.





Ovos de Pomacea dolioides, fotografado em Mana, Guiana Francesa. Foto gentilmente cedida pela Associação Francesa de Conquiliologia.





Pomacea dolioides no seu habitat, fotografado em Paul Isnard, Saint Laurent, Guiana. Fotos gentilmente cedidas pela Associação Francesa de Conquiliologia.




Distribuição geográfica de Pomacea dolioides no Brasil. Imagem original Google Maps; dados das referências bibliográficas abaixo.



Habitat e distribuição: 

Pomacea dolioides é encontrada no norte da Bacia Amazônica (Guiana, Guiana Francesa e Suriname), se estendendo para a Venezuela. Algumas fontes citam sua ocorrência no Brasil, nos estados de RR e AM.

Habitam locais com condições inóspitas, de temperaturas bastante elevadas, com períodos de seca e estações de intensa precipitação. Durante os meses de seca estas ampulárias se enterram na lama, e passam por um período de estivação.

São mais comuns em pântanos e alagadiços, não sendo encontrados em rios, mesmo naqueles sem correnteza.




 

 





Criação comercial em cativeiro de Pomacea dolioides na Venezuela. Fotos cedidas por Richard Asten.



Agradecimentos a Richard Asten (Acuicola Miranda, Venezuela) e aos colegas da  Associação Francesa de Conquiliologia (AFC)  pela cessão das fotos para o artigo, e também ao malacologista Aisur Ignacio Agudo-Padrón pela consultoria técnica.



Bibliografia adicional:

  • Simone LRL. 2006. Land and Freshwater Molluscs of Brazil. EGB, Fapesp. São Paulo, Brazil. 390 pp.
  • Hayes K. A., Cowie R. H. & Thiengo S. C. (2009). A global phylogeny of apple snails: Gondwanan origin, generic relationships, and the influence of outgroup choice (Caenogastropoda: Ampullariidae). Biological Journal of the Linnean Society 98(1): 61-76.
  • Cazzaniga NJ. 2002. Old species and new concepts in the taxonomy of Pomacea (Gastropoda: Ampullariidae). Biocell, 26(1): 71-81.
  • Cowie RH, Thiengo SC. (2003): The apple snails of the Americas (Mollusca: Gastropoda: Ampullariidae: Asolene, Felipponea, Marisa, Pomacea, Pomella): a nomenclatural and type catalog. Malacologia, 45: 41-100.
  • Fernandez MA, Thiengo SC, Boaventura MF. Gastrópodes límnicos do Campus de Manguinhos, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ. Rev. Soc. Bras. Med. Trop. 2001 June; 34(3): 279-282.
  • Geiskes DC, Pain T (1957). Suriname freshwater snails of the genus Pomacea. Studies on the Fauna of Suriname and other Guyanas 1: 41- 48, pls. 9-10.
  •  www.wikipedia.org




 
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