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Caramujo Assassino  
Artigo publicado em 23/09/2013, última edição em 12/08/2016  





Caramujo Assassino

 

            São caramujos neogastrópodes de água doce, carnívoros, da família Nassariidae (previamente eram classificados como Buccinidae). É uma das cerca de quatorze espécies conhecidas do gênero Clea, originalmente descrita da Ilha de Java, é encontrada desde a Malásia e Indonésia, Tailândia e Laos. Outras espécies de Clea preferem água corrente, mas a Clea helena é encontrada também em lagos, daí sua maior adaptabilidade a aquários. Têm hábitos noturnos e durante o dia se enterram na areia. Há uma discussão sobre sua taxonomia, depois que o gênero Clea foi subdividido em três sub-gêneros, Clea (Clea) e Clea (Anentome), de espécies asiáticas, e Clea (Afrocanidia) de espécies africanas.

            Os caramujos Helena são seres muito interessantes para se ter em aquários, primeiramente por sua beleza. Segundo, pelo seu hábito alimentar predador que ajuda a controlar a superpopulação de caramujos herbívoros que invadem os aquários plantados. E para completar, tem a vantagem de serem longevos, vivem tranquilamente 5 anos.



 

Nome: Caramujo Assassino, Caramujo Helena

Nome em Inglês: Assassin Snail, Snail Eating Snail, Killer Snail, Bumble Bee Snail

Nome Científico: Clea helena (Meder in Philippi, 1847). A espécie também é listada como Clea (Anentome) helena e Anentome helena.

 

Tamanho: Até 3 cm

Tempo de vida: Até 5 anos

Sexos: Separados

Dimorfismo: Não há

Cultivo: Fácil

Reprodução: Difícil

Origem: Sudeste asiático

 

pH: 7,0 a 8,0

Temperatura: 20 a 28 graus

GH: 3 a 15








Clea helena, note o longo sifão na última foto. Na última imagem, também é visível que o sifão é uma membrana muscular que é enrolada formando um tubo, ao invés de um tubo fechado. Note também um pequeno ovo junto á extremidade do pé, na última imagem.




Características:

 

            A concha da Clea helena atinge uma altura de 3 cm, tem uma forma alongada e cônica, com estrias axiais elevadas, e de seis a oito voltas. A abertura é ampla, com cerca de 2/3 da altura da concha, com um canal sifonal basal. Possui uma concha espessa, mais grossa do que outros caramujos de água doce. Sua cor varia de amarelo-dourado ou amarelo-palha a marrom, com uma coloração uniforme, ou com uma a três faixas espirais de cor marrom a negra. Corpo cinza-esverdeado claro com pequenas manchas de cor marrom, possui um opérculo de cor castanha. Longo sifão, usado para respirar enquanto fica enterrado, e também como órgão explorador tátil.  Duas delgadas antenas filamentosas, e olhos na extremidade de pedúnculos de comprimento médio. 








Close na concha de Clea helena, o opérculo é bem visível nestas imagens, fechando a abertura da concha quando o animal se retrai.

 

Alimentação e utilidade como exterminador biológico:

 

            Os Helena são carnívoros predadores, principalmente de outros caramujos, podendo também consumir carnes, insetos e pescados colocados no aquário à noite ou rações para peixes carnívoros. A alimentação principal desta espécie na natureza é composta de animais mortos, vermes e caramujos. Inclusive servem para eliminar restos de peixes e outros animais que morrem nos aquários. São bons auxiliares para o extermínio do excesso de caramujos nos aquários. Comem Ramshorn, Melanoides, Phisas e Ampulárias. Contudo, preferem os caramujos com tamanho abaixo de 1 cm para facilitar sua captura. Podem atacar camarões e outros invertebrados também, convém não colocá-los em aquários com invertebrados raros e de alto valor para não correr o risco de prejudicar-lhes o desenvolvimento populacional. Alimentam-se também de ovos de peixes. A predação é feita com o Helena se agarrando à concha da presa e inserindo a boca em forma de apêndice dentro da concha e sugando seus tecidos. Contudo, não espere que os Helena acabem com uma grande população de caramujos, eles comem aos poucos e podem passar dias sem comer. O canibalismo não é uma característica desses animais.

Justamente por seus hábitos carnívoros, sempre houve preocupação sobre a possibilidade deste caramujo se tornar uma espécie invasora, introduzida através de aquaristas. Apesar de sua baixa fecundidade, os potenciais impactos sobre a malacofauna nativa justificam uma forte vigilância para que não haja liberação destes animais na natureza, inclusive no Brasil. Esta possibilidade se tornou mais concreta quando recentemente (2016) foi detectada uma pequena população invasora estabelecida em uma represa de Singapura.  




 


Grupo de Clea helena junto a camarões ornamentais, se alimentando.





Clea helena predando camarões ornamentais.

 

Hábitos:

 

            São ativos à noite e preferem esse horário para caçar e para se acasalar. Podem dar passeios durante o dia, se estivem com muita fome não hesitarão em fazer sua refeição à luz do dia mesmo. São rápidos na sua locomoção e percorrem longas distâncias no aquário, desta forma conseguem capturar suas presas com maior facilidade, já que essas costumam ser mais lentas e se cansarem com facilidade. Em geral, durante o dia costumam ficar enterrados na areia com parte da concha para fora. Na natureza são encontrados em habitats pantanosos, de fundo argiloso ou arenoso fino. Por isso é necessário um substrato com areia ou material de fácil penetração (areia de filtro de piscina, pedrisco fino, substrato leve, etc) para dar-lhe maior conforto e facilitar sua reprodução. Parecem preferir substratos mais escuros como a turmalina ou areias escuras. Quanto maior a granulometria do cascalho, maior será a dificuldade para eles se enterrarem e se reproduzirem. Devem ser mantidos em águas duras e alcalinas, para prevenir a erosão da sua concha. Pelo mesmo motivo, não é recomendável a manutenção em aquários plantados com injeção de CO2. Mesmo se mantidos em ótimas condições, o ápice da concha costuma mostrar algum grau de erosão, devido ao seu hábito escavador.








Outras fotos de Clea helena no aquário. Note o formato do pé muscular.






Clea helena
no aquário. Veja que há sinais de erosão na região apical da concha, mesmo em animais mantidos em condições adequadas.

 

Reprodução:

 

            A reprodução do caramujo assassino não é complicada, porém rara e seus filhotes são muito sensíveis. Diferente dos caramujos herbívoros que facilmente se tornam pragas, os Helena fazem a postura de um único ovo branco amarelado envolvido por uma cápsula translúcida quadrada, medindo 1.0~1.5 mm, depositado sobre alguma superfície rígida. Seu número é variável, e vai de 1 a 12 por animal num mês, mas com baixa viabilidade, às vezes esse número pode superar 12 ovos e nenhum sequer eclodir. Esses ficam por volta de um mês em período de incubação. As larvas nascem brancas e se enterram no substrato por um período de seis semanas, emergem com cerca de 0,5 cm quando já possuem uma concha rija, colorida e com forma semelhante à do adulto. Na fase de larva a sobrevivência é baixa, chegando a 50%, e na forma jovem com menos de 1 cm ainda é de cerca de 50%. Após atingir 1,2 cm os animais ficam mais resistentes e dificilmente irão morrer. O controle da dureza da água nas primeiras fases de desenvolvimento é primordial para aumentar a sobrevivência, sendo a água mais dura a melhor. Pouco se sabe sobre os hábitos alimentares das larvas, mas acredita-se que se alimentem de organismos intersticiais do substrato (como vermes) e restos de ração. Assim, sugere-se não sifonar o substrato, e evitar a manutenção com outros animais que revolvam o fundo. Da mesma forma, algumas fontes sugerem que se evite a manutenção com Melanoides, já que poderia haver competição por alimento entre os filhotes das duas espécies sobre o substrato.



 


Ovos de Clea helena em um limpador magnético de vidro. Foto de Valeria Castagnino.





Ovo de Clea helena junto a um adulto. Note a cápsula translúcida envolvendo o ovo.


Clea helena
, animais de diferentes tamanhos.

 

Artigo escrito por Daniel Costa

 

 

Bibliografia:

  • Bogan AE, Hanneman EH. A Carnivorous Aquatic Gastropod in the Pet Trade in North America: the Next Threat to Freshwater Gastropods? Ellipsaria Vol. 15 - No. 2 June 2013 18-19.
  • Brandt RAM. Non-marine aquatic Mollusca of Thailand. Arch. Molluskenkunde, 1974; 105: 1-423.
  • Ng TH, Foon JK, Tan SK, Chan MKK, Yeo DCJ. (2016). First non-native establishment of the carnivorous assassin snail, Anentome helena (von dem Busch in Philippi, 1847). BioInvasions Records (2016) Volume 5. In press.

Agradecimentos à colega aquarista argentina Valeria Castagnino por permitir o uso da sua foto no artigo.

 
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