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Libélulas, Donzelinhas, etc.  
Artigo publicado em 23/04/2012, última atualização em 07/12/2017  


Ninfas de Libélulas, Donzelinhas e outros

 

Outro inseto que não raramente é encontrado como invasor em aquários é a ninfa de libélula. Por possuir hábitos sorrateiros, com um eficiente mimetismo, e permanecendo oculto durante a maior parte do dia, muitas vezes só são identificados depois de mais crescidos, com o risco de predar pequenos peixes e invertebrados do tanque.

São introduzidos inadvertidamente no aquário, geralmente junto a plantas ornamentais sem tratamento preventivo adequado. Existem alguns relatos de desovas diretamente no aquário, mas são bem raros.

Neste artigo trataremos das ninfas de Libélula, e também de alguns outros insetos aquáticos que podem ser confundidos, as Donzelinhas, Efêmeras e Perlas. Destes, os únicos realmente preocupantes são as Libélulas, vorazes predadoras, capazes de dizimar uma grande população de peixes e outros animais pequenos. Donzelinhas também são predadoras, mas geralmente são pequenas, com um risco muito menor.

A identificação da ninfa de Libélula é relativamente simples, com seu corpo atarracado e sem filamentos na cauda. A diferenciação dos outros três insetos é mais sutil, pode ser feita pelo número de prolongamentos na extremidade da cauda (três para Donzelinhas e Efêmeras, duas para Perlas), e seu aspecto (lisa nas Perlas, com aspecto de penas nas Donzelinhas, variável nas Efêmeras). A presença de brânquias laterais, comprimento das antenas e o aspecto dos olhos também são sinais auxiliares.

Apesar de geralmente serem consideradas pragas, alguns aquaristas criam deliberadamente estes animais em aquários, especialmente para poder observar sua metamorfose no inseto adulto. Sugere-se um aquário dedicado, sem outros animais (exceto presas para alimentação). A manutenção de mais de uma ninfa também não é recomendada, devido ao canibalismo. Sugere-se pouca movimentação de água, por exemplo com FBF em vazão mínima. É importante deixar um espaço acima da superfície da água para que o inseto possa emergir para a metamorfose. Para tal, são interessantes também a presença de galhos e outros objetos semi-emersos. O ideal é que o tanque não seja coberto, é muito comum os insetos voadores recém-transformados tentarem voar, cair na água e morrerem. Geralmente a transformação se dá de madrugada, algumas horas antes do sol nascer. Por isso, é preciso uma boa dose de sorte para poder acompanhar o processo. Mas é uma experiência única, fascinante e maravilhosa.   

 


 


Donzelinha coletada em Mococa, SP. Foi criada em um aquário até sua metamorfose final. Fotos de Felipe Lange.











Libélula coletada em Mococa, SP, talvez uma Pantala flavescens. Foi criada em um aquário até sua metamorfose final. A segunda foto mostra a ninfa alimentando-se, a quarta e quinta flagram a ninfa imediatamente após a ecdise. Fotos de Felipe Lange.

 



Libélulas (insetos da ordem Odonata, subordem Epiprocta)

A ordem Odonata é dividida em duas sub-ordens, Zygoptera (donzelinhas) e Epiprocta (libélulas, até há muito pouco tempo atrás classificada como Anisoptera). Existem cerca de 5000 odonatas no mundo, e cerca de 250 espécies descritas no estado de São Paulo. Todas as odonatas são predadores, tanto suas ninfas quanto os insetos adultos, sendo uma peça-chave no controle biológico de insetos nocivos. As ninfas são aquáticas, exceto por algumas poucas espécies com ninfas terrestres (nenhuma brasileira). Todos os adultos são alados, diurnos e com excelente visão, poucos insetos equiparam as libélulas em termos de capacidade de vôo, tanto em termos de duração quanto velocidade e manobrabilidade. Parecem dispender menos energia voando do que as donzelinhas, permanecem com as asas mais rígidas, parecendo planar no ar. 

Tamanho: até 5 cm.

Identificação: Animais com as seis patas bem visíveis, grandes olhos, corpo achatado e relativamente curto, vivem no substrato. Corpo menos alongado do que ninfas de donzelinhas. Ao contrário destas, não possuem guelras externas na extremidade do abdômen. Ao invés, possuem espículas e orifícios no abdômen que levam a uma câmara branquial interna. Antenas curtas, quase imperceptíveis. Existem espécies fossoriais (como os Gomphidae), com pernas adaptadas para escavação e prolongamentos tubulares na extremidade do abdômen para auxiliar na respiração quando enterrados no substrato. 

Habitat e ciclo de vida: Vivem em águas paradas ou com correnteza. Como muitos outros insetos, são bioindicadores de qualidade de água. Ovos são depositados na água pelos adultos voadores. Algumas espécies têm ovos envoltos em material gelatinoso, formando uma fita. À medida que se desenvolvem, realizam ecdises (troca de exoesqueleto), passando por 10 a 12 estágios de ninfa. O tempo de desenvolvimento da ninfa é bastante variável. Chegado o momento, a ninfa sai da água, procura um substrato sólido e o adulto emerge, geralmente de madrugada.

Alimentação e respiração: Invertebrados, pequenos peixes e girinos, geralmente ficam imóveis e capturam alimentos que se aproximam. Capturam suas presas usando uma mandíbula retrátil (chamada de máscara), na realidade um ‘labium’ que recobre a porção ventral da cabeça. Trocas gasosas na câmara branquial interna, não necessitam vir à superfície para respirar.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos. Voraz predador, pode se alimentar de alevinos e peixes pequenos. Por outro lado, é predado por peixes maiores.


Curiosidades:

  • A língua assassina do Alien, personagem da série de filmes desenhada pelo suíço H.R.Giger foi baseada na boca de uma ninfa de libélula.
  • Apesar de geralmente rastejarem no substrato, podem nadar rapidamente expulsando água da sua câmara retal, um mecanismo semelhante a uma propulsão a jato.
  • Existem registros de libélulas voando a velocidades de até 56 km/h.
  • Recentemente foi descoberto que a espécie Pantala flavescens (que ocorre no Brasil) é o inseto com a maior distância migratória conhecida. Análises genéticas mostraram que espécimes da América do Norte, América do Sul e Ásia representam uma única população global, que realiza migrações cruzando oceanos, numa distância de 14.000 a 18.000 km (o recorde anterior, a famosa Borboleta Monarca, migra até 8.000 km). É uma espécie bastante prolífica, que se reproduz em corpos d´água temporários.
  • Insetos com metamorfose incompleta têm suas fases imaturas geralmente chamadas de ninfas (e não larvas). Ninfas aquáticas (como das libélulas) podem ser chamadas também de Náiades, que são as ninfas aquáticas da mitologia grega. Porém, estas duas denominações estão em revisão, alguns autores propõem que todos os insetos imaturos Pterygota possam ser chamadas de larvas.
  • Existe uma espécie sueca que passa 20 anos como ninfa, e a forma adulta vive somente alguns dias.
  • "Libélula" também tem uma etimologia interessante, é o diminutivo de libra, a balança, uma alusão à sua forma de voar, pairando no ar.


Pequena Libélula fotografada em Mangal das Garças, Belém – PA. Foto de Cinthia Emerich.






Libélula da família Libellulidae, Macrothemis imitans, fotografados em Amparo, SP. Fotos de Walther Ishikawa.





Duas libélulas Erythrodiplax fotografadas em Vinhedo, SP. Foto de Walther Ishikawa.





Ninfa de libélula da família Libellulidae, possivelmente Pantala flavescens, cerca de 3cm, coletado em Vinhedo, SP. Esta espécie tem ampla área de distribuição (América do Norte, Sul, Ásia e África), vive em lagoas temporárias, completando seu desenvolvimento muito rapidamente. Detém o recorde atual de inseto com maior distância migratória (veja texto). Fotos de Walther Ishikawa.




Ninfa da família Libellulidae, fotografado na APP Lagoa Encantada, Vila Velha, ES. Foto de Flávio Mendes.



Ninfa de Brachymesia furcata, cerca de 1,6cm, coletado em Vinhedo, SP. Foto de Walther Ishikawa.




Ninfa da família Libellulidae, fotografado no AP. Foto de Flávio Mendes.








Duas pequenas ninfas de libélulas da família Libellulidae, Elasmothemis constricta, medindo cerca de 0,6cm, e exúvia da mesma espécie medindo 3cm, fotografados em Amparo, SP. Fotos de Walther Ishikawa.




Ninfa da família Libellulidae, medindo 3cm, fotografada no Parque do Jaraguá, SP. Foto de Walther Ishikawa.







Ninfa de libélula da família Aeshnidae, talvez um Anax, cerca de 3cm, fotografado em Gravataí, RS. Na seunda imagem ventral pode ser visto o lábio achatado, característico desta família. Fotos de Walther Ishikawa.




Pequena ninfa da família Aeshnidae, fotografada na APP Lagoa Encantada, Vila Velha, ES. Foto de Flávio Mendes.





Ninfa de libélula da família Aeshnidae, surgiu como invasor em um aquário ornamental, introduzido com plantas. Fotos de Márcio Vargas.




Diminuta ninfa de Aeshnidae, surgiu como invasor em um aquário ornamental, introduzido com plantas. Fotos de Fernando Barletta.







Grande ninfa de libélula da família Aeshnidae, fotografado em Poços de Caldas, MG. Fotos de Walther Ishikawa.

 


Donzelinhas, Agulhinhas (insetos da ordem Odonata, subordem Zygoptera)

No Brasil todos os insetos da ordem Odonata são chamados popularmente de “libélulas” (e diversos nomes regionais, como "lavadeira", "lava-bunda", "jacinta" e "pito"), apesar de que em vários outros países é feita a distinção entre as duas subordens, inclusive em Portugal. Deixamos aqui a denominação de Donzelinhas (em inglês “Damselfly”, em oposição a “Dragonfly” para as libélulas verdadeiras), mais utilizada em Portugal, porque são dois grupos com características próprias. São também chamadas de "Libelinhas" ou "Agulhinhas". A distinção dos adultos é bem simples, enquanto as libélulas verdadeiras mostram grandes olhos que têm contato entre si, corpo mais robusto e pousam com as asas abertas, as donzelinhas são mais esbeltas, têm olhos grandes, mas afastados, e pousam com asas fechadas, como uma borboleta. Geralmente são insetos menores do que os do outro grupo. Também são predadores, tanto suas ninfas quanto os insetos adultos. Possuem pior capacidade de vôo do que as libélulas, sendo capturados mais facilmente. A movimentação das asas é diferente, parecendo tremulá-las.

Tamanho: até 3,5 cm.

Identificação: Lembram as ninfas de libélulas, mas têm corpo mais alongado e três guelras externas na extremidade do abdômen, parecidas com penas.

Habitat e ciclo de vida: Muito semelhante à das libélulas.

Alimentação e respiração: Também muito semelhante à das libélulas. Também possuem a mandíbula retrátil.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos. Pode se alimentar de alevinos e peixes pequenos, mas o risco é menor do que ninfas de libélulas, pelo seu reduzido tamanho. É predado por peixes maiores.


Curiosidades:

  • Por não possuírem a câmara branquial interna, não conseguem a “propulsão a jato” das ninfas de libélulas. Ao invés, usam as guelras caudais para nadar, semelhante à nadadeira caudal de um peixe.
  • Uma espécie típica do Sul, a Agulhinha-gigante (Mecistogaster amalia) uma espécie encontrada no sul do Brasil, se reproduz somente em bolsões d´água (fitotelmas) de bromélias de maiores dimensões da região. Esta espécie caça aranhas apanhando-as diretamente nas suas teias.
  • Fêmeas de diversos gêneros mergulham na água para depositar seus ovos em caules e raízes submersas. Levam um estoque de ar junto aos pêlos hidrófobos do seu corpo, e alguns gêneros carregam um bolsão adicional de ar nas suas asas. Durante a oviposição, o macho ronda a área vigiando-a.














Momentos mágicos: Donzelinhas submersas, depositando ovos em plantas aquáticas. Primeira foto na APP Lagoa Encantada, Vila Velha - ES, de Flávio Mendes, e as demais em Vinhedo - SP, de Walther Ishikawa. Note o aspecto metalizado do animal, devido ao ar acumulado junto ao seu corpo hidrofóbico. A quarta imagem depois do primeiro vídeo mostra a fêmea repondo seu estoque de ar.







Ninfa de Donzelinha, a segunda imagem mostra bem o “labium” retrátil. Na última imagem, após capturar um alevino. Fotos de Felipe Aoki.




Donzelinha da família Megapodagrionidae, Allopodagrion contortum, fotografada no Parque Juquery, Franco da Rocha, SP. Foto de Walther Ishikawa.





Diminuta
ninfa de Donzelinha, coletada em fitotelma de uma bromélia, em Ubatuba, SP. Foto de Walther Ishikawa.





Casal de Donzelinhas durante oviposição, em Vinhedo - SP, foto de Walther Ishikawa.





Ninfa de donzelinha Ischnura fluviatilis, cerca de 2cm, coletado em Vinhedo, SP. Fotos de Walther Ishikawa.



Donzelinha no momento da metamorfose no inseto adulto. Foto de Rodrigo Borçato.



Ninfa de donzelinha em um paludário. Foto de Walther Ishikawa.




Agulhinha-de-mancha-vermelha, Hetaerina rosea, um casal de adultos na primeira foto, mostrando o dimorfismo sexual (fêmea à esquerda, macho à direita), e uma ninfa na segunda foto. Os machos têm territórios bem demarcados, os quais defendem com bastante violência. Imagens gentilmente cedidas por Éden Timotheus Federolf.







Ninfa de agulhinha da família Calopterygidae, talvez um Hetaerina sp., fotografado junto à cachoeira Cascatinha, em Águas da Prata, SP. Fotos de Walther Ishikawa.



Agulhinha-gigante, Mecistogaster amalia, uma espécie encontrada no sul do Brasil, em clareiras de matas, onde caça aranhas em suas teias. Esta grande donzelinha se reproduz somente em bolsões d´água de bromélias de maiores dimensões da região, como a Vriesea gigantea (primeira foto). Suas fitotelmas chegam a abrigar três litros. Imagens gentilmente cedidas por Éden Timotheus Federolf.


 

Efêmeras (insetos da ordem Ephemeroptera)

Em inglês são chamadas de "Mayfly", porque no hemisfério norte se torna adultas em grande número na Primavera, no mês de Maio. Existem cerca de 2200 espécies no mundo. São os insetos alados mais primitivos que existem, registros fósseis datam do período Carbonífero Tardio, há cerca de 300 milhões de anos. As ninfas são aquáticas, e os adultos insetos alados.

Tamanho: até 3 cm.

Identificação: Animais com as seis patas bem visíveis, corpo achatado e alongado, vivem no substrato. Possuem três cerdas longas na extremidade do abdômen, e guelras filamentosas ou achatadas na região lateral do abdômen. Dois grandes olhos compostos numa cabeça arredondada, partes bucais bem proeminentes. Cabeça menor e menos larga do que as donzelinhas. Antenas longas e finas. Podem ser confundidos com ninfas de Donzelinhas, que também têm três estruturas longas no final do abdômen.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em grande variedade de corpos d´água, sem ou com correnteza. São fortes bioindicadores de qualidade de água. Ovos são depositados na água pelos adultos voadores. Chegado o momento, a ninfa se dirige à superfície, e o adulto emerge, geralmente de madrugada. Porém, este emerge numa forma imatura, chamada "sub-imago", já alada, que realiza uma última muda para a forma definitiva, com maturidade sexual. É o único inseto cuja forma alada realiza ecdise. Costumam se tornar adultos simultaneamente, formando grandes aglomerações. Cerca de 50 espécies se reproduzem por partenogênese. Ninfas geralmente rastejam no fundo, mas podem nadar utilizando as cerdas abdominais.

Alimentação e respiração: Se alimentam de detritos e algas. Algumas poucas espécies são predadores. Adultos não têm boca ou sistema digestório. Trocas gasosas cutâneas, ou nas brânquias externas. Alguns se posicionam na correnteza, para receber oxigenação do fluxo de água. Não gosta de águas turvas, o que dificulta a troca gasosa nas suas brânquias.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos, exceto quando emergem maciçamente em algumas regiões (veja abaixo). Inofensivo para peixes, inclusive é predado por peixes maiores.


Curiosidades:

  • O nome "Efêmera" é justificado, possuem vida bem curta na forma adulta, geralmente alguns dias. Existem espécies cujas fêmeas vivem somente alguns minutos.
  • O primeiro registro escrito de Efêmeras foi feito por Aristóteles (384~322 a.C.). Ele testemunhou a emergência de adultos de corpos d´água e teceu comentários sobre sua curta vida.
  • Podem ser bastante abundantes, existem relatos de até 10.000 insetos por metro quadrado. Perto do Rio Mississippi, nos Estados Unidos, chegam a causar problemas deixando o tráfego de veículos perigoso, devido ao grande volume de animais mortos nas rodovias, deixando-as escorregadias. Neste local, e também no Lago Erie (região dos Grandes Lagos), são tão numerosos que são detectados em radares meteorológicos.
  • Na região do Rio Sepik, na Papua Nova Guiné, são coletados em grandes quantidades para consumo humano.

 


Efêmera adulta, foto de André Benedito. Trata-se de um macho, note os olhos divididos em duas porções, uma lateral, semelhante às fêmeas, e uma grande porção dorsal, turbinada.






Ninfa fêmea de Efêmera, família Baetidae, a família com maior diversidade de espécies e distribuição mundial. Mede cerca de 2,5cm, coletado em Monte Verde, MG. Fotos de Walther Ishikawa.







Ninfas da família Euthyplociidae
, fotografada no ES, note os grandes colmilhos mandibulares. Nesta família estão as maiores Efêmeras conhecidas, exclusivas de ambientes lóticos. Fotos de Flávio Mendes.



Pequeninas ninfas coletadas numa lagoa em Vinhedo, SP (cerca de 9 mm). À esquerda, da família Caenidae, e à direita, Baetidae. Foto de Walther Ishikawa.


Caenidae, note as grandes brânquias do segundo segmento abdominal com aspecto opercular, parecem pequenas asas (em inglês são conhecidos como "squaregills"), tendo a função de proteger as demais brânquias, efetivamente as que fazem as trocas gasosas. Pequenas e resistentes a poluição, são uma das poucas efêmeras que não podem ser usadas como bioindicadores. Foto de Walther Ishikawa.




Baetidae, talvez um Callibaetis, fotos de Walther Ishikawa. A terceira foto mostra um macho, veja os olhos divididos nas porções basal e turbinada. 







Leptophlebiidae
, fotografado junto à cachoeira Ponte de Pedra, em Águas da Prata, SP. Fotos de Walther Ishikawa.






Dois vídeos mostrando nuvem de Ephemeroptera sobre um rio, filmados em Mogi Guaçu (SP) e Morretes (PR). Vídeos gentilmente cedidos por Allison Bernal e João Arthur Scremim.







Enxame de Efêmeras detectadas em um radar do Serviço Meteorlógico Nacional dos EUA, no Alto Rio Mississippi, em 20 de Julho 2014. A extensão norte-sul do mapa é de cerca de 220 km. Imagens do National Weather Service / NOAA.





Grande quantidade de carcaças de Efêmeras sobre o Veterans Memorial Bridge, na Pennsylvania, EUA, em 22 de Junho de 2015. A ponte precisou ser interditada por questões de segurança, após três acidentes com motos. Foto de Blaine Shahan (LNP / LancasterOnline).




Perlas (insetos da ordem Plecoptera)

Existem cerca de 1700 espécies de plecópteros no mundo. São insetos primitivos com ninfas aquáticas, os adultos são insetos alados. Em inglês são chamadas de "Stonefly".

Tamanho: até 1,5 cm.

Identificação: Animais com as seis patas robustas e bem desenvolvidas, corpo achatado e alongado, vivem no substrato. Um par de antenas longas, e um par de longos filamentos (cerci) na extremidade do abdômen. Muitos possuem também um tufo de brânquias na extremidade do abdômen, e algumas poucas espécies as possuem na região lateral. Ninfas mais desenvolvidas têm também um par de pequenas asas em desenvolvimento na região dorsal, envoltas em um pequeno estojo. Adultos lembram bastante as ninfas, só que têm asas maiores. Os adultos lembram Efêmeras, mas suas asas ficam dobradas nas costas, e não erguidas.

Habitat e ciclo de vida: Vivem em águas paradas ou com correnteza. Preferem águas frias. Algumas poucas espécies neozelandesas têm ninfas terrestres. Também são fortes bioindicadores de qualidade de água, extremamente sensíveis à poluição. Ovos são depositados na água pelos adultos voadores, ou na superfície, ou em estruturas submersas, com mergulhos dos adultos. Ninfas se desenvolvem por um período de um a quatro anos, daí se rastejam para fora da água, a fim de completar sua metamorfose. Adultos têm vida curta, de semanas.

Alimentação e respiração: Se alimentam de detritos e materiais em decomposição, poucas espécies são carnívoras. Alguns adultos não se alimentam, outros se alimentam de material vegetal. Trocas gasosas cutâneas, ou nas brânquias externas na extremidade do abdômen. Podem se posicionar na correnteza, ou realizar movimentos vibratórios para fazer a água circular na região das brânquias.

Perigo para humanos ou peixes: Inofensivo para humanos e peixes. Predado por peixes maiores.


Curiosidades:

  • Uma espécie norte-americana já foi coletada a 80 metros de profundidade, na região dos Grandes Lagos.
  • Algumas poucas espécies ápteras como o do Lago Tahoe (Capnia lacustra) ou Baikaloperla são os únicos insetos que tem todo seu ciclo de vida aquático.


Perla adulta, fotografado em um bosque em Santa Catarina. Imagem de Luís Adriano Funez.







Ninfa de Perla, família Gripopterygidae, cerca de 1,5cm, coletado em Monte Verde, MG. O tufo de brânquias na extremidade do abdomen caracteriza este grupo. Fotos de Walther Ishikawa.



Mimetismo fantástico. Acima dele, uma pequena ninfa de Libélula da família Aeshnidae. Fotos de Walther Ishikawa.



Pequenina ninfa de Perla, família Perlidae, cerca de 4mm, coletado em Monte Verde, MG. Note as brânquias laterais no abdomen. Fotos de Walther Ishikawa.









Ninfas de Perlidae, fotografados perto da cachoeira Cascatinha, em Águas da Prata, SP. A segunda foto mostra bem as brânquias externas junto às pernas, típico desta família. Fotos de Walther Ishikawa.



Bibliografia:

  • Wade S, Corbin T, McDowell LM. (2004). Critter Catalogue. A guide to the aquatic invertebrates of South Australian inland waters. Waterwatch South Australia.
  • McCafferty WP. Aquatic Entomology: The Fishermen's Guide and Ecologists' Illustrated Guide to Insects and Their Relatives. Jones & Bartlett Learning, 1983 - 448 p.
  • Salles FF, Nascimento JMC, Cruz PV, Boldrini R, Belmont LL. Ordem Ephemeroptera (ephemeros = efêmero, de curta duração; pteron = asa). In: Hamada N, Nessimian JL, Querino RB, editors. Insetos aquáticos na Amazônia brasileira: taxonomia, biologia e ecologia. Editora do INPA; Manaus: 2014.
  • Heckman CW. 2006. Encyclopedia of South American aquatic insects: Odonata - Anisoptera. Illustrated keys to known families, genera, and species in South America. Olympia, Springer Science. 725p.
  • Carvalho AL. 2007. Recomendações para a coleta, criação e colecionamento de larvas de Odonata. Arquivos do Museu Nacional, 65(1): 3-15.
  • Troast D, Suhling F, Jinguji H, Sahlén G, Ware J. A Global Population Genetic Study of Pantala flavescens. PLoS One. 2016 Mar 2;11(3):e0148949.




Agradecimentos aos colegas zoólogos André Benedito, Flávio Mendes e Luís Adriano Funez, aos aquaristas Rodrigo Borçato, Márcio Vargas, Fernando Barletta e Felipe Lange, e também a Eden Timotheus Federolf (  Organização Palavra da Vida - Sul  ) pela cessão das fotos para o artigo. Agradecemos também ao fotógrafo norte-americano Blaine Shahan pela permissão de uso da sua foto, e a Allison Bernal e João Arthur Scremim por permitir o uso dos seus vídeos.




As fotografias de Walther Ishikawa estão licenciadas sob uma  Licença Creative Commons . As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.

 
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