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Outros Insetos e Artrópodes  
Artigo publicado em 10/12/2012, última edição em 11/07/2018  

Outros Insetos e Artrópodes Aquáticos


            Como vocês podem ver pelo restante da galeria, existe uma grande diversidade de insetos, aracnídeos e outros artrópodes essencialmente terrestres, que possuem indivíduos que se especializaram em um modo de vida aquático. As principais já foram abordadas em outros artigos, como os Besouros, Hemípteros e Mosquitos. Este artigo abordará os demais grupos menos conhecidos.

A cada ano que se passa, são descobertas novas espécies inusitadas com hábitos anfíbios ou aquáticos, esta lista tende a crescer cada vez mais. Como algumas ninfas de Cigarrinhas da Costa Rica vivendo em reservatórios de água de flores de Heliconia, por exemplo, Mahanarva insignita e M. costaricensis.

Possivelmente este artigo precisará ser revisto periodicamente.

 


Diminuta ninfa de Psyllidae (Hemiptera, Homoptera), nadando na superfície da água na represa de Vinhedo, SP. Foto de Walther Ishikawa.



Ortópteros Semi-aquáticos


            Gafanhotos, grilos e esperanças são insetos essencialmente terrestres, com uma porcentagem muito pequena de espécies adaptada a ambientes alagados. A maioria das listagens de insetos aquáticos nem ao menos menciona ortópteros, mas existem algumas espécies que são intimamente ligados a ambientes aquáticos, principalmente através das plantas das quais se alimentam. Sua anatomia externa não possui adaptações muito visíveis ao seu hábito aquático, somente discretas modificações na última perna, para facilitar o nado, e adaptações no ovopositor, especializado em depositar ovos nas plantas aquáticas (ao invés do solo).

No Brasil, o grupo mais importante são os gafanhotos Acridóideos, com quatro gêneros que dependem de plantas aquáticas flutuantes. Duas espécies são mais importantes, seja por sua ampla distribuição, quanto pelo seu papel ecológico: O Cornops aquaticum (Bruner, 1906) e Paulinia acuminata (De Geer, 1773). Ambas desenvolvem seus ciclos de vida associados especificamente a duas plantas aquáticas que são daninhas, ambas presentes como espécies invasoras em muitos países, respectivamente o Aguapé (Eichhornia crassipes) e a Marrequinha (Salvinia spp.). Os dois gafanhotos estão sendo pesquisados como agentes de controle biológico, já tendo sido liberados na natureza com este fim em países da África e Ásia.



Gafanhoto semi-aquático Cornops aquaticum, exemplar argentino. Fotos gentilmente cedidas por Rosana M. Ursino.





Ninfa do gafanhoto semi-aquático Cornops aquaticum, fotografado em Belém (PA). Foto de César Favacho.




Gafanhoto semi-aquático Paulinia acuminata, foto de Luciano Martins (SISBIOTA-Brasil).


















Ninfas do gafanhoto semi-aquático Paulinia acuminata sobre Salvinia, fotografados em Itu, SP. Fotos de Walther Ishikawa.





Gafanhoto semi-aquático Marellia remipes, fotografada em Carmelo, Uruguai. Note as últimas pernas adaptadas para natação. Foto de Pablo Pegazzano.




Alguns gafanhotos Tetriguídeos europeus são nadadores e se alimentam de algas submersas, mas não ocorrem no Brasil. Muitos exemplares brasileiros da família Tetrigidae ocorrem em ambientes marginais, são anfíbios, muitas vezes saltando na água para fugir de predadores, possuindo algumas adaptações para nado e mergulho. Conhecidos como "gafanhotos anões", uma característica marcante deste grupo é o pronoto alongado posteriormente, muitas vezes ultrapassando as asas e abdômen, terminando em uma ponta aguda. Possuem o corpo rugoso e cores que permitem uma camuflagem muito boa.








Gafanhoto-anão da família Tetrigidae, fotografado na Represa de Vinhedo, SP. Não são propriamente semi-aquáticos, mas estes gafanhotos vivem em zonas marginais, e podem mergulhar na água para fugir de predadores. Fotos de Walther Ishikawa.



Os ortópteros da família Gryllotalpidae possuem vários nomes populares, como "Paquinha", "Frade", "Bicho-terra", "Grilo-toupeira" (significado do nome da família), "Cachorrinho-d´água", "Cachorrinho-da-terra", "Cachorrinho-do-mato", "Cava-terra", "Grilo-talpa", etc. São insetos que têm um modo de vida fossorial, com o corpo cilíndrico, a região anterior coberta por uma cutícula espessa e resistente, e pernas anteriores adaptadas ara escavação. Olhos pequenos, e antenas não muito desenvolvidas. Adultos alados. São muito mais comuns do que aparentam, mas pouco vistas por passarem a maior parte do tempo enterradas. 

Alimentação variável, geralmente matéria orgânica morta, mas existem espécies herbívoras, pragas de plantações, e até espécies predadoras. Há registros de predação de ovos de tartarugas marinhas na Guiana Francesa pelo gênero Scapteriscus. Machos produzem um som muito alto, ainda mais amplificado através de uma adaptação na saída das suas tocas, em forma de trombeta.









Ninfas de paquinhas (talvez Scapteriscus sp.) encontradas na praia de Porto das Dunas, em Aquiraz, CE. Eram mais numerosos em locais úmidos, com uma grande concentraçao de túneis nas margens de um canal de água doce que se dirigia ao mar. Fotos de Walther Ishikawa.








Túneis nas margens de um lago, em Vinhedo, SP. Provavelmente feito por Paquinhas. Fotos de Walther Ishikawa.





Embora conhecidos como "paquinhas-anões" ("pigmy mole cricket" em inglês), os gafanhotos das famílias Tridactylidae e Ripipterygidae não são tão aparentados com as paquinhas (Gryllotalpidae), nem com os grilos. Atualmente são considerados como sendo linhagens mais basais de gafanhotos. Seu aspecto e comportamento têm similaridades com as paquinhas, como as tíbias anteriores achatadas e adaptadas para escavação, e modo fossorial, um exemplo de evolução convergente. São gregários, vivendo em galerias horizontais superficiais escavadas em solo úmido, próximo a rios e lagos, ou ainda litorais marinhos. Muito ágeis e excelentes saltadores, são dificilmente coletados, porém, são facilmente atraídos pela luz.





Neotridactylus apicialis
, exemplar norte-americano, fotografado em Townsend, Massachusetts, EUA. Foto gentilmente cedida por Tom Murray.




Tridactilídeos fotografados em Matinhos, PR. Fotos gentilmente cedidas por Diuly Walls.






Finalmente, existe um único gênero de esperança Catidídea na América do Sul (Phlugis) especializada em predar ninfas dos Acridóideos. Geralmente de cor verde, possuem robustos espinhos nas penas anteriores, adaptadas para caça. Como as demais esperanças, suas antenas são longas e bastante delgadas.




Esperança catidídea Phlugis sp., fotografado no Equador, predador de ortópteros aquáticos. Note os grandes espinhos nos membros dianteiros. Foto gentilmente cedida por Paul Bertner.






Esperança Phlugis sp., fotografado no Rio Grande, divisa MG/SP, em Guaraci, SP. Fotos de Walther Ishikawa.




Baratas semi-aquáticas

 

            Existem cerca de 4000 espécies de Baratas (insetos da ordem Blattodea) no mundo, 644 espécies registradas no Brasil. Somente 25 a 30 são sinantrópicas (adaptadas ao ambiente urbano). Apenas 0,1% do total de espécies, isto é, 4 espécies, têm caráter de pestes, vetores mecânicos de patógenos. Todo o restante são inocentes membros da fauna do planeta, a maioria com modos de vida limpos, não-agressivos, muitos são até populares com animais de estimação.

            Todos sabem como as Baratas são insetos extremamente versáteis. Presentes no nosso planeta por pelo menos 250 milhões de anos, desde antes dos Dinossauros, não é nenhuma surpresa que algumas espécies destes insetos rastejantes tenham se adaptado a ambientes semi-aquáticos. Algumas poucas se especializaram em viverem em ambientes alagados, geralmente habitats marginais de corpos d'água, ou Fitotelmatas (pequenos reservatórios de água em plantas, como bromélias).

            A maioria destas baratas é anfíbia, semi-aquática, vivem na superfície da água ou em substratos sólidos adjacentes, mas submergem para procurar alimentos ou fugir de predadores. Algumas espécies têm hábitos semi-aquáticos somente na fase de ninfa. Duas espécies brasileiras comuns são a Poeciloderrhis verticalis e Poeciloderrhis cribrosa. A primeira vive em bolsões de água de grandes bromélias, e a segunda em margens de riachos e lagos, comuns nos bosques úmidos do Rio de Janeiro.

Ao contrário de Besouros e outros insetos aquáticos, o aspecto externo destas Baratas é semelhante às espécies terrestres, mas estes animais possuem adaptações anatômicas mais sutis para submersão. Semelhante a besouros aquáticos, usa a extremidade do abdômen como “snorkel”, ou levam consigo uma bolha de ar junto aos pelos hidrofóbicos abdominais como reservatório de oxigênio. Outras possuem uma anatomia espiracular que armazena uma menor quantidade interna de ar, visando facilitar a submersão.

Algumas ninfas fazem um verdadeiro malabarismo para submergirem, viram de barriga para cima, agarram uma bolha de ar com as antenas e pernas dianteiras, retornam a posição dorsal e alojam esta bolha sobre o tórax, para então mergulharem.




Adulto e ninfa semi-aquática de Poeciloderrhis sp., fotografado em Paranapiacaba, SP. Fotos cortesia Victor Ghirotto.

 


Ninfa semi-aquática de Barata, fotografado na Costa Rica. Foto cortesia Justin Montemarano.




Ninfa de Barata, surgiu em um aquário. Fotos de Vinícius Ladeira.



Ninfa semi-aquática de Barata, fotografado na Costa Rica. Foto cortesia Matt Kaplinsky.



Barata semi-aquática em um paludário, provável Rhabdoblatta karnyi, uma espécie de Taiwan. Foto gentilmente cedida por Randolph Cheng.



Barata semi-aquática fotografada no Equador. Foto gentilmente cedida por Arthur Anker.




Pseudoescorpiões litorâneos

 

São diminutos e inofensivos aracnídeos da ordem Pseudoscorpiones, com mais de 3300 espécies descritas no mundo, muito comuns, mas difíceis de serem observados pelo seu diminuto tamanho e hábitos sorrateiros. Medem somente de 1 a 5 mm. Lembram pequenos escorpiões, mas com a porção posterior do corpo achatada e em forma de disco. Apresentam garras proporcionalmente muito grandes, e não têm cauda. São predadores, caçando diminutos invertebrados em meio à serrapilharia no solo. Muitos são foréticos, um tipo de comensalismo onde um organismo usa outro como forma de transporte.

Alguns pseudoescorpiões são habitantes de praias, o gênero mais conhecido é o Garypus. São bastante comuns em praias arenosas norte e centro-americanas, sendo encontrados abaixo de troncos e outros objetos pouco acima do limite superior da maré. Ao Sul, há registros oficiais até Colômbia e Venezuela, porém, muitos autores consideram sua distribuição mais ampla, possivelmente sendo encontrados também no restante da América do Sul. Outros gêneros norte-americanos preferem a zona entre-marés, como o Halobisium, encontrados em fendas de rochas, ou entre algas e detritos trazidos pelas marés, mais comuns em áreas de marisma e estuários. Ambos os gêneros constroem câmaras de seda como habitação, e toleram submersão por períodos relativamente longos.   






Pseudoescorpião Garypus californicus
, fotografado no Parque Estadual Montaña de Oro, município San Luis Obispo, Califórnia, EUA. Foto de Alice Abela.



Milípedes e Centípedes Semi-aquáticos


           Diplopoda é uma classe de invertebrados essencialmente terrestre, muitas fontes se referem a estes artrópodes como sendo exclusivamente terrestres, sem representantes aquáticos. Trata-se dos chamados "mil-pés" ou "piolhos-de-cobra", alongados e com o corpo segmentado, muitas pernas, e de hábitos herbívoros ou detritívoros. Porém, sabe-se que muitas espécies de Milípedes são semi-aquáticos, mergulhando na água especialmente para se alimentar de detritos submersos e biofilme de algas.
            E três espécies são consideradas verdadeiramente anfíbias, a espécie mais comum é a Aporodesminus wallacei Silvestri, 1904, medindo 6 mm, de ampla distribuição pantropical, ocorrendo desde ilhas da costa Sul-Atlântica, Havaianas, Taiti, Hong Kong, até a Austrália. Possui adaptações para este modo de vida, com um tegumento que permite uma respiração por plastrão, usando uma espessa secreção cuticular, e peças bucais adaptadas para alimentação submersa. Existe uma espécie próxima, também de ampla distribuição, que pode representar uma quarta espécie aquática, Cryptocorypha ornata.
            Existe outro representante brasileiro, a espécie amazônica Gonographis adisi, seus juvenis e subadultos passam por um período de 5 a 7 meses submersos no período de cheia do Rio Negro, numa profundidade de até 3,5 m. A tolerância à submersão é de até 11 meses, e são bastante ativos, alimentando-se de algas. Adultos não toleram submersão, e
reproduzem-se entre os períodos  de cheia.
         A última espécie não ocorre no Brasil, trata-se da espécie troglóbia Serradium semiaquaticum, que pode permanecer 4 meses submerso nas cavernas do Norte da Itália.

  







Milípede semi-aquático fotografado em um aquário. A última imagem mostra as pequenas dimensões do animal, comparado a um caramujo Drepanotrema. Fotos de Walther Ishikawa.


           A classe Chilopoda compreende as "lacráias" ou "centopéias", artrópodes peçonhentos próximos dos Diplopoda, também essencialmente terrestre. Em 2016, foi descoberta uma grande espécie anfíbia asiática, que ocorre em Laos, Tailândia e Vietnã, Scolopendra cataracta. Como curiosidade, a espécie foi descoberta por acidente, durante a lua-de-mel de um dos autores do manuscrito (o entomologista britânico George Beccaloni), sobre rochas próximo a uma catarata, daí seu nome. É uma espécie de grande porte, podendo ultrapassar 20 cm, e nada com vigorosos movimentos serpentiformes laterais. Não há espécies semi-aquáticas conhecidas no Brasil.




Centopéia semi-aquática Scolopendra cataracta, espécie nova asiática. Foto extraída do artigo de Siriwut W e colaboradores (Licença Creative Commons).


 

Bibliografia:

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  • http://www.earthlife.net/
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Agradecimentos ao colega aquarista Vinícius Ladeira, aos amigos Victor Ghirotto, Diuly Walls, Matt Kaplinsky (EUA), Randolph J. H. Cheng (Taiwan/Canadá), Rosana M. Ursino (Argentina), Shirley Sekarajasingham (EUA), Pablo Pegazzano (Uruguai), Alice Abela (EUA, veja seu álbum Flickr  aqui ) e Tom Murray (EUA, veja sua página PBase  aqui ), pela cessão das fotos para o artigo. Agradecemos também aos colegas zoólogos César Favacho (álbum Flickr  aqui ), Arthur Anker (Universidade Federal do Ceará, Fortaleza), Justin Montemarano (EUA) e Paul Bertner (EUA), pela permissão de usar seu material fotográfico. Finalmente, somos gratos ao biólogo Carlos Sperber e ao fotógrafo Luciano Martins, ambos do Biota de Orthoptera do Brasil,  SISBIOTA-Brasil , também pela permissão do uso da foto.


As fotografias de Walther Ishikawa e do artigo Siriwut W, et al. (2016) ZooKeys 590: 1-124 (veja o artigo original  aqui ) estão licenciadas sob uma  Licença Creative Commons . As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.
 
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