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"Pomacea haustrum"  
Artigo publicado em 09/04/2012, última edição em 04/10/2015  

Pomacea (Pomacea) haustrum

(Reeve, 1856)

 


A Ampulária sul-americana Pomacea haustrum é classificada dentro do chamado “complexo canaliculata”, um grupo de ampularídeos que tem traços anatômicos em comum, muitas vezes sendo bastante difícil a distinção das espécies dentro deste grupo. Porém, hoje se sabe que as diversas espécies deste complexo nem sempre são próximas filogeneticamente. A Pomacea haustrum é um bom exemplo, embora sua aparência lembre muito a Pomacea canaliculata (que pertence ao clado canaliculata-insularum), é uma espécie geneticamente mais próxima à Pomacea diffusa (clado diffusa/bridgesii-haustrum). O único aspecto que sugere esta proximidade é a morfologia do cacho de ovos, que, apesar da típica coloração verde, mostra um aspecto compacto e poligonal, semelhante ao P. diffusa e distinto do P. canaliculata.


Muito raramente é vista no comércio aquarístico no Brasil, devido à sua distribuição restrita à Bacia Amazônica. Existe muita literatura desta Ampulária como espécie invasora no sul da Flórida (EUA), onde é conhecida como “Ampulária Titã” devido ao seu grande tamanho. Mas alguns autores recentemente têm questionado esta identificação, baseado em dados moleculares. Na década de 70 foi introduzida em MG como agente biológico de controle de esquistossomose.

A Pomacea amazonica (Reeve, 1856) é considerada um sinônimo júnior da Pomacea haustrum.



Pomacea haustrum, 89 mm, coletado em Palm Beach County, Florida, EUA. Fotos de Bill Frank.


 

Pomacea haustrum, fotos de Stijn Ghesquiere.



Pomacea haustrum, nesta imagem é bem visível o ombro mais agudo desta espécie. Foto de Terri Bryant.


Concha: É uma Ampulária grande, sua concha atinge 9~12 cm de altura, com uma cor básica verde escura a marrom. A concha também possui muitas faixas de cor marrom-escura. Próximo da abertura, a concha fica com um aspecto mais claro. A forma da concha lembra muito a P. canaliculata (e outras espécies do complexo), com suturas profundas, mas tende a ter uma concha menos globosa e relativamente mais alta. Exemplares juvenis  têm suturas rasas, lembrando bastante a P. diffusa.

Opérculo: O opérculo tem uma espessura média e um aspecto córneo. Sua estrutura é concêntrica com o núcleo próximo do centro da concha. O opérculo pode ser retraído na abertura da concha.





Comparação entre Pomacea haustrum e Pomacea canaliculata. Fotos de Terri Bryant.


Corpo: Seu corpo tem uma coloração cinza-acastanhada, com manchas pigmentadas escuras. A cabeça tem cor clara (quase branca), enquanto que os tentáculos e sifão são bastante pigmentados. O sifão respiratório é bem longo quando totalmente estendido. Em repouso, o sifão já tem uma forma tubular, mas fica dobrado abaixo da concha.



Pomacea haustrum, foto de Terri Bryant.


Reprodução:
Ovos: Os ovos são de cor verde, de grandes dimensões, medindo de 3~5 mm, depositados em agrupamentos densos na vegetação emergente (acima da linha d´água). Os cachos são formados por ovos comprimidos em formas poligonais, com aspecto de "colméia", semelhante à P. diffusa. O aspecto dos ovos é típico, e auxilia bastante na identificação.



Desova de Pomacea haustrum, foto de Terri Bryant.

Cacho de ovos de Pomacea haustrum, em Palm Beach County, Florida, EUA. Foto de Bill Frank.



Massa de ovos de Pomacea haustrum, com sua típica cor verde. Foto de Terri Bryant.





Eclosão dos ovos, e filhotes de Pomacea haustrum, fotos de Terri Bryant.


Alimentação: Se alimenta de quase todo tipo de vegetação.

Comportamento: Mais ativo durante a noite.




Distribuição geográfica de Pomacea haustrum no Brasil. Imagem original Google Maps; dados de Simone LRL 2006.



Distribuição: Bacia Amazônica, Bolívia e Peru. No Brasil, esta espécie é vista nos estados do PA e AM. Introduzida em MG.  Descrito como invasor na Flórida (EUA), mas restrito a poucas localidades, embora autores recentemente tenham questionado esta identificação.

 




 



















Bibliografia adicional:

  • Simone LRL. 2006. Land and Freshwater Molluscs of Brazil. EGB, Fapesp. São Paulo, Brazil. 390 pp.
  • http://www.conchasbrasil.org.br/
  • Milward-de-Andrade R,  Carvalho OS. Colonização de Pomacea haustrum (Reeve, 1856) em localidade com esquistossomose mansoni: Baldim, MG (Brasil). (Prosobranchia, Pilidae). Rev. Saúde Pública. 1979, vol.13, n.2, pp. 92-107.
  • Cowie RH, Thiengo SC. (2003): The apple snails of the Americas (Mollusca: Gastropoda: Ampullariidae: Asolene, Felipponea, Marisa, Pomacea, Pomella): a nomenclatural and type catalog. Malacologia, 45: 41-100.
  • Rawlings TA, Hayes KA, Cowie RH, Collins TM. The identity, distribution, and impacts on non-native apple snails in the continental United States. BMC Evolutionary Biology 2007, 7: 97.
  • Hayes K. A., Cowie R. H. & Thiengo S. C. (2009). A global phylogeny of apple snails: Gondwanan origin, generic relationships, and the influence of outgroup choice (Caenogastropoda: Ampullariidae). Biological Journal of the Linnean Society 98(1): 61-76.
  • Bernatis JL. Morphology, ecophysiology, and impacts of nonindigenous Pomacea in Florida. Doctorate Dissertation, Interdisciplinary Ecology, University of Florida, 2014.




Esta ficha foi adaptada do portal  applesnail.net , possivelmente o melhor banco de dados de Ampulárias que existe na internet. Agradecimentos a Stijn Ghesquiere, responsável pelo portal, por permitir o uso do material e fotos. Agradecemos também à colega aquarista americana Terri Bryant e Bill Frank ( Jacksonville Shell Club ), pela cessão das fotos para o artigo, e valiosas informações.



 As fotografias de Stijn Ghesquiere estão licenciadas sob uma Licença Creative Commons. As demais fotos têm seu "copyright" pertencendo aos respectivos autores.

 
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